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Guiana

Kaieteur Falls: a Guiana vista de cima

2015-11-12

Confesso que durante algum tempo gostei muito de fazer o que hoje recebe o nome (cafona, aliás) de “turismo de aventura”. Não pelo esforço em si – afinal de contas, esporte e exercícios nunca foram meu forte – mas pela paisagem de alguns lugares e pela experiência. Já percorri a exaustão dos 4 dias da Trilha Inca até Machu Picchu, dos 3 dias descendo o Canyon Colca, além da travessia no Parque Canaima até o Salto Ángel, na Venezuela, Lapinha e Tabuleiro, dentre outros. Hoje, com a idade dando os primeiros alôs, confesso que a preguiça, a frescura e a facilidade me chamam mais atenção. A não ser, claro, que andar durante dias e dormir em árvores valham muito a pena.

A ida de avião dura uma hora da capital e chega no preservado Parque Nacional de Kaietur.
A ida de avião dura uma hora da capital e chega no preservado Parque Nacional de Kaieteur.

Foi assim na Guiana, onde, como disse aqui e aqui, o turismo fora de Georgetown se resume basicamente às maravilhas da floresta amazônica. No Suriname, onde a mesma floresta ainda dá as caras, uma caminhada de duas horas pelo mato – em uma temperatura de se fritar os miolos – me fez ter que enfrentar um batalhão de mosquitos infernais. Não, não era pernilongo nem mariposinha de banheiro. São umas mosconas mutantes e resistentes a repelentes que ferroam como abelhas, mesmo por cima de uma calça jeans. Na Guiana, onde o turismo é bem parecido ao do país vizinho, decidi bancar a madame e visitar a atração mais bonita de avião (por U$120, ida e volta), sem ter que passar por canseiras. A caminhada a pé existe e pode levar até uma semana, incluindo barcos, desfiladeiros, acampamentos e mais algumas coisas que eu dispensaria naquele momento. Não é difícil encontrar agências de turismo para atender a maneira que você quer conhecer a selva do país no centro de Georgetown. Os preços variam pouco.

Vista de cima, a Guiana mostra uma imensidão de quilômetros ocupados pela floresta.
Vista de cima, a Guiana mostra uma imensidão de quilômetros ocupados pela floresta.
Rios, desfiladeiros e, claro, garimpo.
Rios, desfiladeiros e, claro, garimpos.
Que também exibem as clareiras desérticas dos garimpos.
Que descortinam a floresta e exibem as clareiras desérticas da extração de ouro.

A Kaieteur Falls é uma das mais impressionantes cataratas que já vi. A viagem no avião pequeno levou pouco menos de uma hora, praticamente todo o tempo sobrevoando a floresta. Ver a imensidão e homogeneidade das árvores de cima, formando aquele tapetão verde gigantesco, dá mesmo juz ao apelido de pulmão do mundo. Ao mesmo tempo, clareiras enormes revelavam um solo que parecia mais um deserto, com os garimpos de ouro que movem a pobre economia do país.

Com mais de 200 metros de queda, a Kaietur Falls é um dos lugares mais bonitos da Guiana.
Com mais de 200 metros de queda, a Kaieteur Falls é um dos lugares mais bonitos da Guiana.

O avião pousa em um pequeno aeroporto construído no topo da cascata, dentro do Parque Nacional de Kaieteur, bem próximo ao rio Potaro. A região, que fica mais ao centro do país, chama-se Essequiba, área que é reivindicada pela Venezuela em um conflito histórico (mas não violento). Em poucas centenas de metro do aeroporto, já é possível contemplar a vista, de vários pontos, até o rio. A queda e morte de uma turista há alguns meses impossibilita que se nade. Com uma vista assim, nem é preciso. O lugar é tão abençoado que diversas plantas carnívoras, durante a trilha, somem com os mosquitos e, tirando o sol escaldante, é tudo bem rápido e simples.

De trilha fácil e plana, ir de avião é a melhor maneira para satisfazer os preguiçosos.
De trilha fácil e plana, ir de avião é a melhor maneira para satisfazer os preguiçosos.
Mais uma.
Mais uma.

Cinco vezes mais alta que as cataratas de Niágara, a Kaieteur tem mais de 200 metros de queda e não é (definitivamente) o único lugar a se visitar no país na floresta. Diversos parques, rios e trilhas podem fazer parte do roteiro, além do imponente Monte Roraima, ao sul, que marca a divisão das fronteiras entre Brasil, Guiana e Venezuela. Só que para se ter a melhor vista do Roraima é preciso dias e dias de caminhada – no mínimo de 9 dias – coisa que… quem sabe numa próxima vez, não é?

09

 

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